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A escola e as gerações futuras

Marcos Gaspar

Data: 18/09/2009

Os temas sustentabilidade e educação nos levam ao mesmo destino – as gerações futuras. As escolas possuem um papel de grande relevância na formação reflexiva, crítica e transformadora dos cidadãos deste século, que inicia com grandes desafios econômicos, ambientais e sociais. A partir da vivência e experiência profissional em projetos sócio-ambientais no sistema educacional desta década, tornou-se possível fazer uma breve análise da temática sustentabilidade em escolas localizadas no Rio de Janeiro. Na prática, as escolas se esforçam para incluir a sustentabilidade nos conteúdos apresentados pelo Ministério de Educação, onde os temas meio ambiente e educação ambiental aparecem de forma transversal e interdisciplinar nos parâmetros curriculares.

 

Na avaliação do ensino médio, o ENEM, o conteúdo foi incorporado aos concursos da maioria das universidades públicas que prioriza abordar temas mais próximos da realidade em que vivemos. Na matriz de referência e anexos do ENEM estão alguns conceitos importantes como de sustentabilidade e cidadania. Mas apesar deste esforço inicial, a sustentabilidade ainda não recebeu a sua devida importância da educação para a formação de uma cultura com valores e princípios necessários para o equilíbrio de uma sociedade que propõe ser justa, sustentável e globalizada.

 

O debate que presenciei nas escolas sobre a sustentabilidade, ainda apresenta-se de forma pontual e superficial. As ações ocorrem em momentos isolados, como em datas comemorativas do meio ambiente ou dia da árvore, onde são realizados exposições de trabalhos e plantio simbólico de mudas. Por outro lado, o desenvolvimento de diversos projetos e experiências já foram implementadas através da mobilização da comunidade local ou parcerias com organizações não-governamentais e empresas.

 

Os projetos como, plantio de mudas de árvores, hortas comunitárias, coleta seletiva de resíduos, oficinas de arte e reciclagem e agenda 21 escolar, foram algumas das ações realizadas. Mas a orientação dos projetos ainda estão focados na educação ambiental instrumental e não transformadora, o que significa que estas ações não levam à reflexão sobre a forma de produzir, consumir e viver da sociedade moderna e os seus impactos sobre florestas, qualidade do ar, rios e comunidades.  

 

A inclusão da sustentabilidade no projeto político pedagógico e na gestão escolar é estratégico para o sistema educacional e para a mudança de hábitos e práticas em escala da sociedade. E por isso apresento algumas questões para alunos, responsáveis, professores, funcionários e a sociedade para sairmos do discurso e colocarmos em prática ações que transformam a realidade que vivemos:


- O tema sustentabilidade está previsto no desenvolvimento de projetos da escola?


- Os professores participam de treinamento e capacitação sobre sustentabilidade ou educação ambiental?


- Existe incentivo para os professores desenvolverem projetos de forma interdisciplinar e transversal?


- A alimentação está associada à saúde dos alunos e a preservação ambiental?


- O óleo vegetal dos refeitórios e cantinas são coletados?


- Existem ações de orientação sobre alimentação saudável para os alunos?


- Os efluentes de cozinhas e banheiros são tratados adequadamente?


- A coleta seletiva dos resíduos sólidos é estimulada e orientada entre alunos e funcionários?


- A destinação destes resíduos é correta?


- A redução do desperdício do uso de energia e água é um objetivo das escolas?


- Existe campanha contra desperdício de água e energia?


- São utilizadas lâmpadas econômicas nas instalações?


- Existe projetos de reaproveitamento ou coleta de água?


- O papel utilizado é reciclado?


- Evita-se o uso de material descartável?


- O mobiliário inclui madeiras certificadas ou de reaproveitamento?

 

Enfim, são muitas perguntas, mas que as crianças e adolescentes devem ser estimuladas à realizarem e refletirem para que o planeta receba maior cuidado e atenção a partir de agora, e as gerações futuras possam usufruir dos recursos naturais necessários com respeito e responsabilidade.  

 

*Marcos Gaspar é sociólogo e consultor de responsabilidade social e sustentabilidade
          

 

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