Artigos

 

As vacas pastam na Transposição

Roberto Malvezzi

Data: 02/03/2011

Por: Redação TN / CPT
 

Apesar do marketing feroz do governo, a transposição do São Francisco agoniza. Os canais já revestidos racham ao sol. As partes apenas desmatadas vão sendo recobertas pela capoeira e servem de pastos para os animais. Só de Icó Mandante até Serra Negra são 70 km retomados pelo mato. Nas cidades onde a obra passou, como Petrolândia, ficou o desemprego, além de uma renca enorme de problemas, como famílias desmanteladas e a entrada do crack em pleno sertão pernambucano. O ministro da Integração, Fernando Coelho, já disse que o custo da obra passou de cinco para sete bilhões. Ainda mais, afirmou que o eixo leste só estará pronto ao final de 2012 e o eixo norte ao final de 2013.

Aumenta consumo de combustíveis no Brasil, mas cai o consumo de etanol

Sérgio Abranches

Data: 17/02/2011

Por:  Redação TN / Ecopolítica

 

Cai demanda por etanol, cresce demanda por gasolina. Resultado da diferença óbvia entre um biocombustível que é produzido junto com uma commodity alimentar de valor no mercado global e um combustível fóssil, cujo preço é fixado por empresa dominante, quase monopolista, no mercado doméstico. O preço do álcool/etanol terá sempre por referência o preço do açúcar dado pelo mercado internacional. O preço da gasolina é determinado pela Petrobrás e não pelo mercado. Se a demanda por açúcar estiver aquecida e elevar seus preços internacionais, os produtores aumentarão a produção de açúcar em detrimento da de álcool. Com menor oferta de álcool os preços sobem. Se o preço do álcool não compensa o diferencial de eficiência do biocombustível nos motores flex, o consumidor opta pela gasolina.

Amazônia Atlântica ou Atlântida?

João Meirelles Filho

Data: 07/02/2011

Por: Redação TN / Instituto Peabiru
 

 

Curuçá: grave este nome. Será repetido reiteradas vezes. É neste pequeno município do litoral paraense, a 130 km de Belém, que estão planejadas duas grandes obras da Amazônia, dois mega-portos: o Terminal Off-Shore do Espadarte e a Estação Flutuante de Transbordo da Anglo American. Guarde também este tema: 2ª Esquadra da Marinha, a base está em definição, não se sabe se São Luís, Belém, Chaves no Marajó ou mesmo Curuçá. Além de decorar o nome dos peixes que adornam os poços de petróleo do Sudeste Atlântico do Brasil, prepare-se para fisgar mais alguns que produzirão gás natural e petróleo nas águas já salgadas da Amazônia Atlântica. É que, com o estudo de impacto ambiental aprovado, consultas públicas feitas, os consórcios liderados por empresas como Petrobras (Costa do Amapá) e OGX (Bacia Pará-Maranhão), prometem resultados a curto prazo.

Independência do Judiciário é a única esperança em Belo Monte

Sérgio Abranches

Data: 01/02/2011

Por: Redação TN / Ecopolítica 

 

Se o Judiciário julgar com autonomia a ação que o Ministério Público Federal do Pará impetrou para caçar a licença precária concedida pelo Ibama, deve conceder a liminar interrompendo o processo de licenciamento. O Brasil terá, então, talvez, a oportunidade de rediscutir este projeto a sério. Há vícios de procedimentos e legais que justificam a intervenção do Judiciário. O argumento é legal, no caso, não é de desenvolvimento ou segurança nacional. Esta é outra questão, de natureza substantiva. O argumento do governo de que se trata de um projeto imprescindível não se sustenta tecnicamente, nem nos fatos. Belo Monte é um projeto de porte médio. Gerar 4 mil MW alternativos não teria nenhuma dificuldade e custaria muito menos.

Petróleo: o excremento do diabo

Célio Pezza

Data: 31/01/2011

Há muitos anos que o mundo sabe dos problemas gerados pela exploração das energias fósseis, em especial o petróleo. Evidente que o petróleo e o carvão foram as bases energéticas do crescimento industrial e econômico, mas também foram os causadores da situação calamitosa em que se encontra o planeta em termos de poluição, aquecimento global e desastres ambientais. Juan Pablo Péres Afonso, antigo ministro da energia da Venezuela falecido em 1979 e um dos criadores da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), disse certa vez uma frase que define bem o problema: “Dez anos, vinte anos a partir de agora, vocês verão que o petróleo será a nossa ruína... Petróleo é o excremento do diabo!".

Amazônia pós-desmatamento: uma agenda para a nova década

Mary Allegretti

Data: 06/01/2011

O grande problema da Amazônia – o desmatamento – em torno do qual reuniram-se cientistas, pesquisadores, ambientalistas, seringueiros, opinião pública internacional e muitos outros atores, nas últimas três décadas, está se transformando em questão corriqueira de gestão ambiental.  Essa é uma oportunidade que não se pode perder de mudar a agenda e substituir ações de comando e controle por um coerente plano de desenvolvimento sustentável estratégico.

Coprodutos e Resíduos de Biomassa são Matérias-Primas para Produtos Químicos

Sílvio Vaz Jr

Data: 04/01/2011

Nos últimos anos, grande esforço tem sido dispendido para o aproveitamento de coprodutos e de resíduos dos processos de conversão da biomassa para agregar valor às cadeias produtivas e reduzir possíveis impactos ambientais das mesmas. Os conceitos de biorefinaria e química verde enfocam este aproveitamento de modo que se obtenham cadeias de valor similares àquelas dos derivados do petróleo, porém com menor impacto ao meio ambiente.

O Planeta vai continuar com febre

Leonardo Boff

Data: 16/12/2010

A COP-16 terminou na madrugada do dia 11 dezembro em Cancún com  pífias conclusões, tiradas mais ou menos a forceps. São conhecidas e por isso não cabe aqui referi-las. Devido ao clima geral de decepção, foram até mais do que se esperava mas menos do que deveriam ser, dada a gravidade da crescente degradação do sistema-Terra. Predominou o espírito de Copenhague de enfrentar o problema do aquecimento global com medidas estruturadas ao redor da economia. E aqui reside o grande equívoco, pois o sistema econômico que gerou a crise não pode ser o mesmo que nos vai tirar da crise. Usando uma expressão já usada pelo autor: tentando limar os dentes do lobo, crê-se tirar-lhe a ferocidade, na ilusão de que esta  reside nos dentes e não na natureza do próprio lobo.

Economia do hidrogênio: uma introdução

Marcelo Linardi

Data: 08/11/2010

O conceito de um novo sistema de conversão de energia chamado Célula a Combustível começa a despertar interesse cada vez maior na população em geral, deixando de ser um tema restrito à comunidade técnico-científica e empresarial. Este conceito vem sempre associado à crescente preocupação de preservação ambiental, a automóveis elétricos não poluidores e à geração distribuída de energia com maior eficiência. Porém, o conceito de células a combustível é bem mais abrangente, e se insere na chamada “economia do hidrogênio”. O hidrogênio é o elemento mais abundante do universo e foi identificado pela primeira vez pelo cientista britânico Henry Cavendish, em 1776, sendo denominado de “ar inflamável”.

Geotermia: energia sob nossos pés

Lester Brown

Data: 06/09/2010

O calor concentrado nos quase dez quilômetros superiores da crosta terrestre contém 50 mil vezes a energia combinada das reservas mundiais de petróleo e gás. Mas são aproveitados apenas cerca de 10.700 megawatts da geotermia. Em parte pelo predomínio do petróleo, do gás e do carvão, que oferecem combustível barato se são omitidos os custos da mudança climática e da contaminação do ar, se investe pouco no desenvolvimento de fontes geotérmicas.



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