Artigos

 

Essa sociedade merece sobreviver?

Por: Leonardo Boff

Data: 13/05/2009

O atual Presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel d’Escoto Brockmann, ex-chanceler da Nicarágua sandinista, está conferindo rosto novo à entidade. Tem criado grupos de estudo sobre os mais variados temas que interessam especialmente à humanidade sofredora como a questão da água doce, a relação entre energias alternativas e a seguridade alimentar, a questão mundial dos indígenas e outros. O grupo talvez mais significativo, envolvendo grandes nomes da economia, como o prémio Nobel Joseph Stiglitz é aquele que busca saídas coletivas para a crise econômico-financeira. Todos estão conscientes de que os G-20, por mais importantes que sejam, não conseguem representar os demais 172 países onde vivem as principais vítimas das turbulências atuais. D’Escoto pretende nos dias 1, 2 e 3 de junho reunir na Assembléia da ONU todos os chefes de estado dos 192 países membros para juntos buscarem caminhos sustentáveis que atendam à toda a humanidade e não apenas aos poderosos.

Os códigos de ética corporativos

Por: Ricardo Voltolini

Data: 06/05/2009

Depois de três anos tentando abrir os olhos da diretoria de sua corporação para fraudes contábeis, Lynn Brewner, uma especialista em ética, resolveu tornar público tudo o que sabia sobre os bastidores nada honestos da Enron. Em 2001, com o seu ato de coragem, acabou sendo pivô do maior escândalo financeiro dos Estados Unidos. Um pouco antes, a Tyco, e algum tempo depois a WorldCom e a Parmalat, foram flagradas com a mão na mesma botija. Em comum, além de grandes companhias, as quatro adotavam uma espécie de “moral dupla” bastante conhecida no mundo corporativo: da “porta para fora”, vendiam a imagem de sólida reputação, inovação e prosperidade; da “porta para dentro”, em nome do vale-tudo empresarial, abusavam de expedientes mentirosos e irresponsáveis, como o de maquiar balanços financeiros, enganando investidores crédulos e desafiando a vista grossa de regulações frouxas ou inexistentes.

Água: escassez e uso sustentável na crise

Por: Gesner Oliveira

Data: 03/04/2009

Recentemente, em Washington, durante a Water Week 2009 — evento organizado anualmente pelo Banco Mundial que reúne representantes de governos, empresas de saneamento e ONGs—, evidenciou-se que a atual crise veio se somar às preocupações habituais em relação à conservação da água e ao acesso ao saneamento. Além dos desafios associados à degradação ambiental, ao desperdício, às mudanças climáticas, aos usos não sustentáveis em processos produtivos, ao crescimento populacional e à miséria, teme-se que a crise traga impactos negativos devido à tendência de redução dos investimentos em serviços de infraestrutura, como energia, saneamento, transporte e irrigação. Tais impactos são danosos porque investimentos em infraestrutura são propulsores do crescimento econômico e da redução da pobreza.

Papel do Brasil na redução de emissões

Por: Ricardo Voltolini

Data: 18/03/2009

Quarto maior emissor mundial, com 5% da cota planetária, o Brasil desempenha um papel importante, já que tem potencial para diminuir em 70%, até 2030, suas emissões de gases de efeito estufa com medidas de custos relativamente baixos. Esta é a principal conclusão de estudo apresentado, na semana passada, pela McKinsey & Company, em evento do Planeta Sustentável da editora Abril. A sopa de números analisados pelos especialistas da consultoria é especialmente alentadora para o Brasil. Na prática, há aqui o que e onde cortar. Ao contrário de alguns países mais ricos, a fonte primeira de emissões se concentra no campo florestal. Apenas o desmatamento, o nosso mais conhecido Calcanhar de Aquiles, responde por 55% dos 2,8 milhões de toneladas de carbono. Estima-se que daqui a 20 anos represente 43%.

Alto Risco

Energia nuclear, mesmo sem licença

Data: 02/05/2008

No mesmo dia em que o governo de Goiás reconhecia o direito de mais 199 servidores estaduais receberem indenizações mensais por danos à saúde provocados, em 1987, pelo acidente com a cápsula de césio 137 em Goiânia (agora são 422 reconhecidos, mais 800 reivindicam), o presidente da Eletronuclear anunciava que começará no segundo semestre deste ano a implantação da usina nuclear de Angra 3 - embora ela não esteja ainda licenciada pelo Ibama e como se isso fosse apenas um pormenor irrelevante. E exatamente um dos pontos a serem apreciados no licenciamento é a falta de destinação para os resíduos nucleares altamente radiativos que serão produzidos pela usina - e que deverão ser ainda muito perigosos daqui a 10 mil anos. Perto deles, os 19 gramas de césio que se espalharam em Goiânia naquele acidente são uma brincadeira de criança.

Fome

A mídia comeu mosca

Data: 28/04/2008

A fome ganhou destaque na imprensa de todo o mundo, como se fosse um tsunami. Mas a fome é um fenômeno previsível, resultado da combinação de fatores naturais com movimentos econômicos. Ao reagir com manchetes assombradas a uma desgraça anunciada, a imprensa foge do questionamento essencial sobre o funcionamento dos mercados.

Dia da Terra

Uma questão de atitude

Data: 22/04/2008

Neste ano, o terceiro do milênio no qual depositamos tantas esperanças, comemorar o Dia da Terra exige reflexão e compromisso. O planeta não vive seus melhores dias e nós, a assim chamada "espécie superior", andamos inseguros a respeito de nossa própria capacidade de fazer deste um mundo melhor.

Consciência e preservação

2008 — O Ano Internacional do Planeta Terra

Data: 17/03/2008

Partindo de uma idéia surgida durante o 31º Congresso Internacional de Geologia, realizado no Rio de Janeiro em 2000, o Ano Internacional do Planeta Terra teve sua proclamação declarada pela Assembléia Geral das Organizações das Nações Unidas (ONU) em dezembro do ano passado, com o apoio de 191 países. Será comemorado a partir de janeiro de 2007, com término em dezembro de 2009 e ênfase no ano de 2008. Seus objetivos são: demonstrar o grande potencial das Ciências da Terra na construção de uma sociedade mais segura, sadia e sustentada e encorajar a sociedade a aplicar este potencial mais eficientemente, em seu próprio benefício.

Assunto delicado

A internacionalização da Amazônia

Data: 13/03/2008

Durante um debate no mês de novembro de 2000, em uma Universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem estudante introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista, e não de um brasileiro. Segundo Cristovam, foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para a sua resposta que, mesmo oito anos depois, continua pertinente e atual.

Consumidos pelo consumo

Preocupado em possuir cada vez mais, o homem se esquece de ser

Data: 13/03/2008

Vivemos tempos de redefinições. Valores e conceitos que nos orientaram por mais de três séculos começam a perder o sentido e são reinventados pelo chamado da sobrevivência. O que era antes considerado sucesso, pela competência e eficiência tecnoprodutiva, hoje vai para a berlinda. Vemos destruídas as nossas ilusões de viver para trabalhar, ganhar e consumir. Consumimos tanto que estamos sendo consumidos pelo excesso, aquele que polui nossas vidas e se transforma em lixo psíquico.



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