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Países emergentes criticam falta de ambição em Doha

Data: 30/11/2012

Por: Redação TN / Fabiano Ávila, Instituto CarbonoBrasil


Os grandes emergentes elevaram o tom dos discursos na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 18), que está em andamento em Doha, no Catar. Segundo Brasil e China, os países industrializados, em especial os Estados Unidos e a União Europeia (UE), chegaram às negociações com propostas muito modestas e não estão comprometidos em cortar significantemente as suas emissões de gases do efeito estufa e nem em ajudar as nações mais vulneráveis. A grande decepção dos emergentes se dá no debate sobre o futuro do Protocolo de Quioto e nas discussões em torno do que é chamado de Long term Cooperative Action (LCA), que trata do financiamento climático e da transferência de tecnologias limpas.

 

O chefe da delegação chinesa, Su Wei, declarou que o avanço da Plataforma de Durban, que é a base do novo acordo climático que promete entrar em vigor em 2020, só vai acontecer depois que o LCA e Quioto estiverem resolvidos.

 

“Se não conseguirmos um acordo para as questões de curto prazo, eu não posso imaginar que vamos negociar o que ainda está distante”, afirmou Wei ao portal RTCC.

 

A China critica sobretudo a falta de ambição da UE e dos EUA, que não estão trazendo nenhuma novidade para a mesa de negociações.

 

“A UE já está muito próxima de alcançar sua meta de corte de 20% nas emissões até 2020 e o esperado seria que o bloco elevasse esse objetivo. Mas percebemos que não há esse interesse e estamos preocupados com o que vai acontecer nos próximos oito anos em termos de políticas climáticas europeias”, disse Wei em uma coletiva de imprensa.

 

“Entendemos que os EUA tiveram outras prioridades durante os primeiros quatro anos do governo Obama, mas neste segundo mandato esperávamos que o país apresentasse mais coragem na COP 18. Queremos que os norte-americanos abracem contribuições reais para a redução das emissões”, completou.

 

Os  brasileiros também não estão felizes com o andamento das negociações e o embaixador  André Corrêa do Lago afirmou na terça-feira (27) que “se os países ricos, que têm os meios financeiros, têm tecnologia, têm uma população estável, já têm uma grande classe média, pensam que não podem reduzir [as emissões] e trabalhar para combater as mudanças climáticas, como eles podem pensar que os países em desenvolvimento podem fazê-lo? É por isso que o Protocolo de Quioto tem que ser mantido. Se o retirarmos, teremos o que as pessoas chamam de Velho Oeste. Você não vai obter as reduções [de emissões] necessárias”.

 

O Brasil aproveitou os números da queda do desmatamento para mostrar que está contribuindo, já a posição chinesa nesse sentido é bem mais fraca.

 

O governo de Pequim garante que entre 2006 e 2010 o consumo de energia por unidade do produto interno bruto (PIB) no país caiu 19,1%, o que seria o equivalente a cortar a emissão de 1,46 bilhão de toneladas de dióxido de carbono (CO2). Além disso, teria evitado a emissão de 730 milhões de toneladas de GEEs anualmente graças aos milhares de projetos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) que possui.

 

Porém, a China se nega a adotar limite para suas emissões enquanto não melhorar a renda per capita de sua população.

 

“Para podermos erradicar a pobreza precisamos crescer, e, por isso, é claro que as nossas emissões continuarão a subir por mais algum tempo. Mas estamos trabalhando para que elas cheguem a seu pico o mais breve possível e que passem a cair rapidamente em seguida”, declarou Wei.

 

Antes de a COP-18 começar, Wei afirmou que as emissões crescerão até que a China alcance um produto interno bruto (PIB) per capita cinco vezes maior do que o atual. Segundo ele, não seria justo nem racional que o país reduzisse suas emissões absolutas quando seu PIB per capita é de US$ cinco mil, enquanto o dos países desenvolvidos é de entre US$ 40 mil e US$ 50 mil.

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