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Cidades de países em desenvolvimento são mais vulneráveis às mudanças climáticas

Data: 30/11/2012

Por: Redação TN / Jéssica Lipinski, Instituto CarbonoBrasil


Um novo relatório publicado na última quarta-feira (28/11) revelou que os países em desenvolvimento precisam começar a agir agora se quiserem proteger suas cidades das consequências das mudanças climáticas. O documento, produzido pela consultoria Atkins, afirma que, atualmente, mais da metade da população mundial vive em cidades, e esse índice deve aumentar para 75% até 2050. E como o maior crescimento é esperado em cidades do mundo em desenvolvimento, são estas as cidades que enfrentarão maiores desafios frente às mudanças climáticas.

 

“Já que 95% dessa expansão urbana é estimada para ocorrer no mundo em desenvolvimento, são as cidades nos países em desenvolvimento que estarão na linha de frente para gerir esse desafio”, diz o relatório.

 

Para se ter uma ideia, apesar de ocuparem apenas 2% da área do planeta, as cidades consomem de 60% a 80% da energia gerada mundialmente e produzem 75% das emissões globais de gases do efeito estufa (GEEs).

 

Por isso, o estudo enfatiza que é necessário que as cidades das nações em desenvolvimento comecem a tomar medidas imediatas para prevenirem e se adaptarem aos impactos das mudanças climáticas, como secas, enchentes e eventos climáticos extremos como o furacão Sandy, que causou danos de US$ 71 bilhões em Nova York e Nova Jérsei.

 

“Cidades de países em desenvolvimentos precisam dar passos – e precisam dar passos agora – para se protegerem futuramente sozinhas. A maioria dessas cidades enfrenta riscos ambientais múltiplos – de mudanças climáticas, do uso de energia, do carbono [e] das ameaças à segurança hídrica e alimentar”, comentou Nick Godfrey, economista da Atkins.

 

“Quanto mais cedo as cidades nos países em desenvolvimento derem passos para protegerem futuramente seu desenvolvimento urbano, melhor. Há uma janela importante – mas se fechando – de oportunidade para muitas cidades agirem agora antes que fiquem presas a caminhos de desenvolvimento insustentáveis e inadequados”, concordou a pesquisa.

 

Entre os centros urbanos que correm maior risco de sofrerem com os efeitos das mudanças climáticas estão as cidades da Ásia e do Pacífico, geralmente de grande porte ou com potencial para crescer.

 

Segundo o relatório, a degradação ambiental já custou a países como o Paquistão, a Nigéria e Gana mais de 10% de seu produto interno bruto (PIB). “Poucas cidades têm um perfil de pouco risco. Essas são cidades que frequentemente são pequenas, mas com perspectivas significativas de crescimento.”
 Outros grandes centros, como Bancoc, Déli, Jacarta e Mumbai também apresentam características que podem aumentar os riscos climáticos, como o alto uso de energia e a alta probabilidade de enchentes e ciclones, assim como ameaças à água e aos alimentos e aos ecossistemas naturais.

 

Mas o documento aponta alternativas para que estas cidades se adaptem às mudanças climáticas, como, por exemplo, melhorar os serviços de água e saneamento, criar regulamentações de construção, estimular projetos de energias renováveis em larga escala, desenvolver políticas de redução de pobreza, incentivar a agricultura urbana etc.

 

Além disso, o estudo também ressalta que as cidades devem trabalhar em estreita colaboração com governos regionais e nacionais para melhorar a governança urbana, o planejamento, as finanças e os serviços, além de criar parcerias com o setor privado.

 

“Muitas companhias do setor privado, nacional e multinacionalmente, estão investindo em cidades pelo mundo [e] os interessados precisam estar cientes dos riscos em longo prazo para seus investimentos e do desempenho desses ativos que possuem, gerem e desenvolvem nas cidades”, observou Godfrey.

 

“Essa é uma tremenda oportunidade para empresas ajudarem a trabalhar com as cidades em busca de novas soluções criativas para reduzir o carbono, para medidas de conservação da água, [e] para sistemas de transporte. É uma oportunidade realmente importante e exige que empresas, governo e agências de financiamento trabalhem juntas para fazer isso acontecer”, concluiu ele.

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