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ISE cresce e quase dobra seu valor de mercado

Data: 27/11/2009 11:26

Por: Celso Dobes Bacarji, Envolverde

 

A BM&FBovespa divulgou na última quarta-feira (25/11) a quinta carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), que entrará em vigor a partir do dia 1º de dezembro de 2009. O indicador, composto por ações de empresas que apresentam alto grau de comprometimento com práticas de sustentabilidade e governança corporativa, saltou de 28 para 34 companhias e de 36 para 43 ações. O valor de mercado das ações cresceu de R$ 372 bilhões, em dezembro de 2008, para R$ 730 bilhões, no fechamento de quarta (24/11), o peso relativo desses papéis subiu de 30,7% da capitalização total da BM&FBovespa para 32,31%, no mesmo período.

 

Uma das novidades introduzida nas regras do ISE, este ano, de acordo com a Bolsa, é a mudança na metodologia de formação da carteira, que agora fica limitada a uma participação de 15% por setor econômico, enquanto na fórmula de cálculo anterior, esse limite era de 25% por empresa.

 

Oito novas empresas ingressaram no ISE, quatro delas se fundiram em duas e três novos setores passaram a ser representados. As novas integrantes do grupo de elite da sustentabilidade empresarial da Bolsa foram a Copel, Even, Itausa, Indústrias Romi, Redecard, Sul America, Usiminas e Vivo. Das que constavam na carteira anterior, 26 foram selecionadas para a nova carteira. Sadia e Perdigão passaram a ser representadas pela BRF Foods e Itaú e Unibanco pelo ItauUnibanco. A VCP foi substituída pela Fibria.

 

A nova carteira, que vai vigorar até 30 de novembro de 2010, representam agora 15 setores, com a entrada de representantes  da construção civil, seguros, e máquinas e equipamentos. O índice ficou constituída pelas companhias AES Tiete, Cemig, Dasa, Energias Br, Indústrias Romi, Redecard, Tim Participações S/A, Bradesco, Cesp, Duratex, Even, Itausa, Sabesp, Tractebel, Brasil, Coelce, Eletrobras, Fibria, ItaúUnibanco, Sul America, Usiminas, Braskem, Copel, Eletropaulo, Gerdau, Light S/A, Suzano Papel, Vivo, BRF Foods, CPFL Energia, Embraer, Gerdau Met, Natura e Telemar.

 

De acordo com Sonia Favaretto, diretora de sustentabilidade da BM&FBovespa e presidente do conselho do ISE, “isso comprova que o movimento da sustentabilidade empresarial vem mesmo num crescente, envolvendo inclusive os níveis de liderança mais elevados, a partir dos CEOs e RIs, e sem isso o movimento não acontece verdadeiramente dentro das empresas”. Ela observa que a mudança de metodologia procurou dar à carteira maior representatividade, o que foi reforçado pela entrada de empresas dos três novos setores.

 

A diretora da Bolsa destacou que a nova carteira do ISE mostra também que “os investidores estão valorizando cada vez mais práticas e compromissos empresariais voltados para a sustentabilidade, um movimento que já está em curso”. Prova disso, diz ela, é que “o ISE é um instrumento cada vez mais valorizado, representando um selo de qualidade para as empresas que compõem a carteira”.

 

As companhias participantes, este ano, foram selecionadas entre as 51 empresas que responderam ao questionário desenvolvido pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVCes) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP).

 

Questão de sigilo

 

O questionário foi enviado a 137 empresas emissoras das 150 ações mais líquidas da BM&FBovespa, além das que responderam como treineira, que querem se engajar no processo. Em 2010 a instituição pretende estender o convite a todas as empresas que estiverem entre as 200 mais líquidas, embora o número máximo de empresas no índice seja de 40, por resolução do Conselho.

 

A ausência da Petrobras na composição da nova carteira foi questionada pelo jornalista Rodrigo Petri, da Agência Estado, que estranhou o fato de a empresas ter sido credenciada para integrar o Dow Jones Sustainability Indexes (DJSI), da bolsa de Nova Iorque e não constar do Índice brasileiro. Deixaram de integrar também o índice as empresas Odontoprev e Celesc, que fizeram parte dele durante este ano.

 

Sônia Favareto evitou responder diretamente a questão, alegando que não cabe à Bolsa se manifestar sobre os motivos que levam uma empresa ficar fora do índice e sugeriu que a pergunta fosse feita diretamente à companhia.

 

“Existem dois critérios para uma empresa não estar na bolsa, basicamente: ou ela não respondeu ao questionário ou ela não atingiu o nível mínimo dos critérios qualitativos e quantitativo para integrar a carteira, mas não nos cabe julgar empresas separadamente”, disse ela, alegando que issa norma faz parte do contrato de confidencialidade estabelecido entre a instituição e as companhias participantes.

 

A posição da Bolsa foi duramente criticada pela maioria dos jornalistas que participaram da teleconferência realizada pela bolsa para anunciar a nova carteira. Tanto que, ao final, a diretora de sustentabilidade da BM&FBovespa se comprometeu, como presidente, a levar questão para o Conselho do ISE e para a audiência pública com as empresas, para ver se é possível mudar alguma coisa. Comentou a possibilidade, também, de fazer um fórum de debates com os jornalistas, no próximo ano, para ouvir o que está dificultando, para a imprensa, a cobertura do tema da sustentabilidade na Bolsa.

 

Além da BM&FBovespa, o Conselho do ISE é composto pelas seguintes entidades: Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, International Finance Corporation (IFC), Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e Ministério do Meio Ambiente.

 





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