
Data: 09/02/2010 00:36
Por: UnB Agência
O recurso natural mais abundante do planeta – e também um dos mais ameaçados – ganhará importante ferramenta de proteção a partir deste mês. Dez entidades, entre instituições públicas e ONGs, fecharão protocolo de intenções para proteção e preservação da água no Brasil. A UnB é a única universidade signatária do acordo, que já discrimina plano de trabalho para os próximos dois anos. O Centro de Estudo Transdisciplinar da Água oficializado no Diário Oficial da União pela Agência Nacional de Águas (ANA), vai integrar as ações de todas as instituições participantes, com a criação de um laboratório para pesquisas sobre a água – que possivelmente será instalado na UnB. A ideia é que o centro possa participar de editais de pesquisa sobre o tema.
Outra meta do grupo é promover eventos e produzir material de divulgação sobre o tema. Mesmo antes de ser criado oficialmente, o Centro de Estudo Transdisciplinar da Água já apoiou a a publicação do livro A Mensagem da Água, de Masuro Emoto, voltado para crianças.
Além na UnB, as entidades que integram o centro são: Secretaria de Saúde do DF, Agência Nacional de Águas (ANA), Caesb, e as ONGs Ararazul, Anavida, Instituto Calliandra, Instituto Oca do Sol, Instituto de Saúde Integral, SOS Mata Atlântica e WWF Brasil.
A UnB entrou na proposta do protocolo pelo trabalho das professoras Vera Catalão, da Faculdade de Educação, e Maria do Socorro Ibañez, do Departamento de Ecologia. Desde 2003, elas coordenam o projeto de extensão Água como matriz ecopedagógica, que leva a questão da água a escolas de comunidades ribeirinhas. Com as atividades, elas já implantaram viveiros, banheiros secos e cisternas para aproveitamento da água da chuva em quatro colégios nas bacias do São Bartolomeu e do Paranoá.
“Formamos os professores para que eles repassem às crianças a noção de água como um bem maior, com toda a consciência e simbolismo envolvidos na questão”, conta a professora Maria do Socorro. Com o protocolo, as entidades planejam a implantação de um laboratório de pesquisas – ainda sem local definido – e a discussão do tombamento de recursos hídricos do país. “Queremos começar um debate técnico sobre o tombamento. Já pensou o Rio Amazonas virar oficialmente patrimônio brasileiro?”, vislumbra a professora Socorro.
“É uma alegria participar dessa iniciativa, não só porque a água sintetiza a vida, mas também porque a abordagem transdisciplinar é fundamental para o tema”, disse o reitor José Geraldo de Sousa Junior durante a assinatura do protocolo na manhã desta terça-feira, 26 de janeiro.
As entidades que integram a iniciativa querem explorar o assunto de forma abrangente, valorizando a diversidade cultural da água. “Sempre falou-se muito sobre os usos da água, uma visão muito utilitarista desse recurso. Pretendemos estabelecer uma relação mais complexa com a água a partir da contribuição das instituições envolvidas”, explica Sérgio Augusto Ribeiro, da WWF.
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