Notícias

Países discutem proteção para espécies ameaçadas

Data: 16/03/2010 10:56

94e3bc070da6f046695e6e8666fe1fbb

Por: Fabiano Ávila, CarbonoBrasil/Agências Internacionais

 

Quando se fala em proteger espécies em extinção é difícil imaginar que alguém possa ser contrário. Mas como fazer os japoneses pararem de consumir atum se ele é básico em sua alimentação há séculos e fonte de renda para milhares de pessoas? Como explicar a um pai da Tanzânia que ele deveria parar de caçar elefantes, mesmo ganhando mais em um dia do que receberia em três meses vendendo leite de cabra? Dilemas como esses são discutidos na Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Silvestres (Cites), que vai até o próximo dia 25/3 em Doha, no Catar, e que reúne 175 países.

 

Ao todo são 40 propostas na agenda do evento, medidas que podem determinar o futuro de diversas espécies no planeta, dos ursos polares aos corais. Mas a grande briga parece mesmo reservada para as discussões sobre os animais que fazem parte da economia de alguns países, como o atum e os elefantes (caçados pelo marfim de suas presas).

 

A população de atum-vermelho (Thunnus thynnus) já teria diminuído em 90% no Atlântico Oriental e mais de 80% no Atlântico Ocidental desde 1970. Ambientalistas querem que a pesca seja completamente proibida para que os cardumes possam se regenerar. Porém o Japão, que consome mais da metade do atum pescado no planeta e onde um único peixe pode custar até US$ 175 mil, já afirmou que se a Conferência optar pelo banimento da pesca, o país vai simplesmente ignorar a decisão.

 

Os Estados Unidos e a Europa parecem inclinados a votar a favor de algum tipo de restrição, mas com ressalvas. Entre as propostas estão o adiamento de um ano para o início da proibição e a permissão para que pescadores artesanais continuem trabalhando.

 

Já para a África a grande questão são os elefantes e o marfim que movimenta milhões de dólares nas nações mais pobres do mundo. A Tanzânia e a Zâmbia querem um incremento no comércio e maior liberdade para a caça, que é controlada no continente. Já o Quênia teme que a medida resulte no aumento da caça ilegal por todo o continente.

 

Um estudo publicado na Science na última semana registrou um aumento constante da caça ilegal nos últimos anos e que de 8% a 10% da população de elefantes é alvo dela anualmente. O estudo indica que o marfim está sendo comercializado justamente na Zâmbia e na Tanzânia, motivado pelo interesse de compradores da China, Japão e Tailândia.

 

O banimento completo da caça em 1989 freou o declínio da população de elefantes, então estimada em 1,3 milhões de animais. Mesmo assim não foi uma medida totalmente efetiva e hoje restam apenas 500 mil. Numa triste declaração, a Serra Leoa afirmou que seu último elefante foi morto em 2009.

 

Quênia, Congo, Gana, Libéria, Mali, Ruanda e Serra Leoa querem estender a proibição da caça até 2027. O Brasil enviou uma delegação para Doha e deve propor maior proteção à espécie Aniba rosaeodora Ducke, conhecida como pau-rosa, uma árvore de grande porte que pode atingir até 30 metros de altura e é procurada pela qualidade de seu óleo, utilizado como fixador de perfumes.

 

A proposta é que a variedade seja incluída no Apêndice II da convenção, destinado a espécies que não estão ainda com alto risco de extinção, mas que podem vir a correr perigo se não houver maior controle sobre seu comércio.

 

A briga em Doha promete ser grande e a solução será a busca por pontos de equilíbrio que permitam a adoção de medidas de proteção sem penalidades em demasia para a economia dos países. A torcida é essas medidas não acabem sendo brandas demais e que realmente possibilitem a recuperação das populações dos animais.

 





Printer Versão para impressão
Rss_old RSS
Newspaper_link Assine a newsletter
User Envie para um amigo



Notícias relacionadas



Caderno de Sustentabilidade



Caderno de Sustentabilidade

Download

Busca:







Parceiros