
Data: 06/05/2010 11:24
Por: Redação TN / Agência CanalEnergia
Agentes do setor vêem com otimismo a priorização das fontes alternativas no Plano Decenal de Expansão de Energia 2019 (PDE), divulgado na última terça-feira (4/5), pela Empresa de Pesquisa Energética. Segundo o documento, após 2014 as hidrelétricas, juntamente com as pequenas centrais hidrelétricas, usinas a biomassa e empreendimentos eólicos serão responsáveis pela expansão da geração brasileira. De 2014 a 2019, quando a expansão será feita somente por meio de renováveis, o setor elétrico receberá R$31 bilhões para fontes alternativas. Em 2019, segundo o plano, a capacidade instalada através destas três fontes será de 21.528 MW.
O PDE 2019 prevê também uma expansão média anual de 13% para as usinas eólicas, a biomassa e PCHs. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Pequenos e Médios Produtores de Energia Elétrica, Ricardo Pigatto, pela primeira vez o Brasil está efetivamente levando em consideração as fontes alternativas na proporção do seu crescimento. Em 2010, a capacidade instalada das PCHs será de 4.043 MW evoluindo para 6.966 MW em 2019. Para atingir o valor estimado pelo PDE 2019, segundo o executivo, é necessária maior velocidade na aprovação dos projetos pela Agência Nacional de Energia Elétrica.
"É uma previsão desafiadora, mas o setor tem plenas condições de atender. Precisamos da parceria do governo para fazer com que isso aconteça", disse o executivo, ressaltando que muitas PCHs não se cadastraram no leilão de reserva, porque não conseguiram a aprovação dos projetos. "Uma das exigências da EPE foi o projeto ser aprovado pela agência e como ainda estavam em análise, muitos ficaram de fora do cadastro", complementou, ressaltando que a Aneel tem noticiado que até meados de julho, o fluxo de análise será regularizado.
O PDE mostra uma preocupação do governo em priorizar fontes renováveis de energia, de acordo com o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica, Lauro Fiúza. Segundo o executivo, a evolução da capacidade instalada estimada para as usinas eólicas em 1.436 MW neste ano e de 6.041 MW em 2019 é baixa. "É uma tendência importante, mas ainda tímida diante do grande potencial eólico que tem mostrado existir no Brasil".
Fiúza destacou ainda que das 478 usinas cadastradas para o leilão de fontes alternativas, 399 são parques eólicos, enquanto que as térmicas a biomassa totalizaram 61 cadastrados e as PCHs apenas 18 usinas. Segundo o executivo, o mercado sinaliza a tendência do crescimento do empreendimento eólico. Há um forte desestímulo às PCHs pelas dificuldades ambientais. A biomassa depende muito da expansão de produção do etanol no Brasil e as eólicas por si só são um empreendimento gerador de energia.
“Nós temos um potencial que pode ser explorado e que não há ligação com qualquer outro fator econômico".
No caso da biomassa, o PDE 2019 prevê uma evolução de 5.380 MW em 2010 para 8.521 MW para o final do período estudado. Para o assessor em bioeletricidade da Unica, Zilmar de Souza, o avanço pode ser ainda maior.
"Nossa previsão em temos de MW exportados para a rede em 2018/19 é de 22.315 MW e envolve o aproveitamento do bagaço e também da palha da cana, que está chegando no nosso setor, em virtude principalmente do fim das queimadas. Então nós teremos um novo combustível que vai aumentar bastante a geração de energia", disse Souza, ressaltando também que o plano prevê a expansão da produção do açúcar e etanol”.
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