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Corte nas emissões de CO2 não evitará clima extremo

Data: 21/06/2010 11:02

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Por: Redação TN / Fabiano Ávila, CarbonoBrasil / Met Office

 

Nem o melhor cenário para as próximas reuniões climáticas ou um acordo global com força de lei para reduzir emissões, evitaria fenômenos climáticos extremos nas próximas décadas. Esta é a conclusão do modelo computacional gerado por cientistas do Met Office, serviço meteorológico britânico (clique aqui para ver). Em artigo no periódico Geophysical Research Letters, eles afirmam que se as emissões voltassem para os níveis anteriores à revolução industrial ainda assim viveríamos o problema. Isso porque o ciclo da água do planeta já foi alterado pelo aquecimento global e não voltará ao que consideramos “normal”.

 

 

“A inércia resultante do calor acumulado principalmente nos oceanos implicará em mudanças climáticas mesmo depois de estabilizadas as emissões. Esses efeitos devem ser levados em conta nas políticas de mitigação e nas opções para adaptação a enchentes, suprimento de água, produção de alimentos e saúde humana”, explicou Peili Wu, líder do estudo.

 

O Met Office utilizou um modelo computacional para analisar como o ciclo da água reagiria diante de mudanças na quantidade de dióxido de carbono na atmosfera. Uma das primeiras descobertas foi que uma vez atingido os níveis altos de CO2 como os de hoje em dia, mesmo uma redução drástica não conseguiria evitar os piores impactos para o clima.

 

O atual nível do CO2 está um pouco acima de 390 partes por milhão (ppm) e a maior parte das políticas climáticas procura impedir que esse nível passe de 450ppm a 550ppm. Os pesquisadores chegaram a trabalhar com uma redução improvável para os níveis pré-industriais de 280ppm nos próximos anos e nem isso evitou as secas e enchentes previstas no modelo.

 

O estudou mostrou que apesar da temperatura acompanhar a queda do CO2, os distúrbios climáticos prosseguem intensos por várias décadas. Isto porque os oceanos dissipam o calor de forma muito lenta e o ciclo da água continuaria sob efeito do aquecimento global muito depois da redução das emissões de gases do efeito estufa.

 

As mudanças climáticas previstas não são ainda totalmente confiáveis, mas os pesquisadores calculam que o Brasil, assim como maior parte da América do Sul, sofrerá com severas secas ao mesmo tempo em que será alvo de tempestades tropicais intensas.

 

“O importante é perceber que mesmo reduzindo as emissões ainda será necessária a adoção de políticas para minimizar os impactos do clima nos ecossistemas”, alertou Vicky Pope, chefe de mudanças climáticas do Met Office.





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