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UE prevê importação de energia solar do Saara em cinco anos

Data: 21/06/2010 11:56

Por: Redação TN / Christian Lowe, Reuters

 

A Europa iniciará a importação de eletricidade gerada pelo sol no norte da África dentro de cinco anos, disse o comissário de energia Gunther Oettinger em uma entrevista no último domingo (20/6). A União Européia (UE) está apoiando projetos para transformar a enorme quantidade de luz solar do deserto do Saara em eletricidade, um esquema que visa ajudar o bloco a alcançar a meta de suprir 20% da demanda energética com fontes renováveis até 2020.

 

“Acredito que alguns modelos que iniciarão nos próximos cinco anos aportarão algumas centenas de megawatts para o mercado europeu”, comentou Oettinger à Reuters após uma reunião com ministros de energia da Argélia, Marrocos e Tunísia.

 

Segundo eles os volumes iniciais viriam de projetos pequenos, mas que a quantidade de eletricidade aumentaria para milhares de megawatts ao passo que projetos como o Desertec de € 400 bilhões entram em cena.

 

“O Desertec como um todo é uma visão para os próximos 20 a 40 anos com investimentos de centenas de bilhões de euros”, explicou Oettinger. “É preciso tempo para integrar um percentual maior de renováveis, solar e eólico”.

 

A UE está apoiando a construção de novos cabos de eletricidade, conhecidos como inter-conectores, sob o Mar Mediterrâneo para carregar a energia do norte da África para a Europa. Alguns grupos ambientalistas alertaram que os cabos podem acabar sendo utilizados para importar eletricidade não renovável de usinas a carvão ou gás.

 

“Este é um bom questionamento, mas não é uma questão para destruir nosso projeto”, completou Oettinger. “Esta pergunta merece uma boa resposta então precisamos de maneiras para garantir que a nossa importação de eletricidade seja proveniente de renováveis”.

 

Ele acredita que é tecnológicamente possível monitorar as importações de eletricidade para a UE. “Esta questão deve ser resolvida nos próximos anos”, comentou.

 

O consórcio Desertec inclui grandes empresas como a Siemens, RWE e o Deutsche Bank, que devem buscar fundos públicos para o projeto. Oettinger disse que a assistência européia provavelmente incluiria ajuda para coordenação dos stakeholders, atualização das regulamentações para importação de eletricidade fora das fronteiras européias e financiamento de estudos de viabilidade. Sobre a perspectiva de subsídios da UE, ou a permissão da Comissão Européia para que o Estado auxilie as empresas envolvidas no projeto, ele falou que seria esclarecido logo que o consórcio apresentar um plano de negócios detalhado.

 

Ele ainda comentou que todos os três ministros de energia presentes no encontro na Argélia indicaram estar dispostos a construir a infra-estrutura e as regras comuns de mercado necessárias para permitir o comércio de eletricidade renovável com a Europa. Oettinger respondeu a criticas expressadas no passado por alguns oficiais da Argélia que os projetos envolveriam Europeus explorando os recursos naturais do norte africano.

 

“Os renováveis são uma parceria com dois lados, pois a eletricidade produzida aqui é para os mercados domésticos dos países norte africanos”, completou. “Talvez uma porcentagem maior da eletricidade será exportada para a Europa, mas ao mesmo tempo temos que exportar a tecnologia, as ferramentas, os especialistas e então é realmente uma parceria, não apenas uma parceria ao comprar e vender”.

 

*Traduzido por Fernanda B. Muller, CarbonoBrasil





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