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Reunião do CIB não chega a acordo em Marrocos

Data: 24/06/2010 12:13

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Por: Redação TN / Greenpeace

Tudo indica que o encontro anual do Comitê Internacional da Baleia (CIB), em Agadir, no Marrocos, terminará em fracasso. Após dois dias de reuniões, nas quais nada foi decidido, representantes dos 89 países membros já cogitam deixar para o ano que vem o destino de cachalotes, baleias-fin e azuis, caçadas sem piedade por Japão, Noruega e Islândia. Na mesa de discussão está um acordo proposto em maio por um grupo de estudos dentro da própria CIB, que estipula cotas de caça comercial para os três países, com promessa de diminuição dos valores nos próximos dez anos. A proposta quebra a moratória estipulada há 24 anos pela CIB.

 

Mesmo com 2600 animais dentro da cota do arpão, Japão, Noruega e Islândia continuam insatisfeitos com a possibilidade de colocar um ponto final ao seu programa baleeiro em um período estimado de tempo. Graças a uma brecha na regulação da Moratória, os três países empreendem uma matança de cerca de mil indivíduos por ano, sob o rótulo de caça científica.

 

A verdade, no entanto, passa longe da ciência. No Japão, os navios de pesquisa usam a carne das baleias como insumo de contrabando e enriquecimento ilícito, em um processo que envolve o governo e os órgãos reguladores de pesquisa. Dois ativistas do Greenpeace, Junichi Sato e Toru Suzuki, denunciaram o esquema ilegal e, há dois anos, enfrentam um processo penal inescrupuloso no país.

 

Os escândalos não param por aí. O Japão esteve recentemente sob os holofotes da mídia internacional por suborno e compra de votos de países dentro da CIB como tentativa de barrar qualquer acordo. Apesar de tantas denúncias, a estratégia parece ter dado certo. O encontro anual, além de ringue entre países que consideram que a CIB é um comitê regulador do comércio e aqueles que acham que deve se tornar um órgão conservacionista, pouco teve a acrescentar em favor dos animais.

 

“Se adiarem os acordos para a outra reunião, teremos mais um ano de sangue de baleia derramado por Japão, Noruega e Islândia. Os governantes presentes na CIB deveriam estar envergonhados de reunirem-se a portas fechadas para esconder as mesmas chantagens e negociatas que condenam há anos o futuro de cetáceos no mundo”, diz Junichi Sato.

 

Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de Oceanos no Brasil, afirma que a única cota que o Greenpeace aceita é a zero: “Apesar da redução, nós consideramos a Antártica um local de preservação de baleias, destinado apenas para a paz e a ciência.” diz. “O Greenpeace é contra qualquer cota de caça comercial de baleias no Santuário de Baleias Antártico, criado em 1994 pela própria CIB com o objetivo de proteger as espécies”, conclui.





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