
Data: 18/02/2011 11:46
Por: Redação TN / EcoD
Um sistema de produção de carvão vegetal mais limpo, capaz de reduzir em mais de 60% as emissões de gases de efeito estufa em relação às técnicas hoje empregadas e de reaproveitar os resíduos do processo para fins industrais, está sendo desenvolvido pela Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FTDE), instituto de pesquisa aplicada fundado por professores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). No sistema desenvolvido pela FTDE, a transformação da lenha em carvão é feita na unidade de carvoejamento, que consiste em fornos onde a queima da lenha é feita sem a presença de oxigênio, com captação dos gases oriundos da incineração.
Parte desses gases depois é utilizada para alimentar geradores na própria fábrica e outra parte alimenta uma unidade química, responsável pela transformação dos resíduos em produtos químicos, tais como alcatrão, ácido acético e metanol. Outro benefício do sistema é que ele pode produzir carvão de outros tipos de matéria-prima, além da lenha. "O processo é versátil. É possível utilizar resíduos como casca de arroz, pó de serraria, capim, biomassa de cana-de-açúcar", explicou ao Estadão.com Nilton Nunes Toledo, diretor da FTDE.
Problema socioambiental
Segundo Toledo, a tecnologia pode ser uma grande aliada das indústrias siderúrgicas, que utilizam o carvão vegetal como insumo básico da produção de aço e hoje precisam reduzir suas emissões de gases-estufa, vilões do aquecimento global. Boa parte da produção de carvão vegetal ainda é bastante rudimentar e cercada de problemas socioambientais, como o corte ilegal de floresta nativa e o trabalho infantil nas carvoarias. No interior do Brasil, o processo mais comum de produção de carvão é por meio dos fornos conhecidos como "rabo quente" - bastante poluentes, que liberam na atmosfera todos os gases da queima do carvão.
Os problemas na cadeia de produção do carvão vegetal no Brasil levaram o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) a solicitar a criação de uma norma de boas práticas para a produção de carvão vegetal. De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), encarregada da formulação dos padrões, o objetivo é oferecer parâmetros mais sustentáveis para a matéria-prima, o processo de carbonização e para a qualidade do carvão. O texto da nova norma deve ser submetido a consulta pública até o final de março.
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