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Acidificação oceânica atual está até cem vezes maior do que variação natural

Data: 26/01/2012 12:38

Por: Redação TN / Jéssica Lipinski, Instituto CarbonoBrasil

 

A acidificação dos oceanos é um fenômeno que, assim como o efeito estufa, aumenta e diminui naturalmente na Terra. O problema é que a maioria dos cientistas acredita que as influências do ser humano na natureza estão fazendo com que esses fenômenos ocorram muito mais rapidamente do que o normal, não dando tempo suficiente para as outras formas de vida se adaptarem. Em um novo estudo, pesquisadores descobriram que a acidificação dos oceanos, desencadeada pela absorção de dióxido de carbono da atmosfera pelos mares, está atualmente muito acima do nível dos últimos 21 mil anos, e sua aceleração pode estar ligada principalmente a uma causa: o aumento das emissões antropogênicas.

 

De acordo com a pesquisa, desenvolvida pelo Centro Internacional de Pesquisa do Pacífico da Universidade do Havaí em Manoa, Honolulu, e publicada pelo periódico Nature Climate Change, cerca de 30% da liberação de CO2 promovida pelo homem através da queima de combustíveis fósseis, da produção de cimento e do uso da terra é absorvida pelos oceanos.

 

Esse fenômeno é normal na natureza, mas com o crescimento mais acentuado das emissões, a absorção de dióxido de carbono é cada vez mais rápida e em maior quantidade, não deixando que os ecossistemas marinhos se adaptem à nova concentração de CO2.

 

“Quando a Terra começou a aquecer, há 17 mil anos, encerrando o último período glacial, os níveis de CO2 na atmosfera aumentaram de 190 partes por milhão (PPM) para 280 PPM em seis mil anos. Os sistemas marinhos tiveram um grande tempo para se ajustar. Agora, com um aumento similar na concentração de CO2 para o nível atual de 392 PPM, o tempo de ajuste foi reduzido para apenas 100-200 anos”, explicou Tobias Friedrich, principal autor do estudo.

 

Por sua vez, a absorção desse dióxido de carbono leva à redução do PhD da água, o que ocasiona um aumento da acidez dos oceanos, ou acidificação. Por isso, quanto maior a assimilação de CO2 pelos oceanos, mais acidificada a água se torna.

 

“Em algumas regiões, a taxa de mudanças antropogênicas na acidificação dos oceanos desde a Revolução Industrial é cem vezes maior do que a taxa natural de mudanças entre o Último Máximo Glacial e os tempos pré-industriais”, observou Friedrich.

 

O problema é que uma acidificação tão acelerada pode acarretar em uma grande perda de espécies marinhas, como moluscos, algas e corais, já que estas se descalcificam muito rapidamente com índices de acidez nas águas mais altos.

 

Algumas pesquisas indicam que cerca de 75% dos corais do planeta estão ameaçados pelo fenômeno; outras, que eles devem se extinguir até o final do século por causa dessa acidificação. “Nossos resultados sugerem que reduções severas podem ocorrer na diversidade de recifes de corais, na complexidade estrutural e na resistência até a metade deste século”, alertou Axel Timmermann, também autor da pesquisa.

 

Mas os animais com conchas não são os únicos ameaçados pela acidificação: novos estudos sugerem que os peixes podem ter má formação devido ao excesso de acidez nos oceanos. E tudo isso, além da perda da biodiversidade, também pode acarretar em prejuízos para a alimentação mundial. Para os cientistas, atualmente a única solução para a redução da acidificação dos oceanos é a diminuição nas emissões de CO2.





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