
Data: 26/01/2012 12:44
Por: Redação TN / Paula Laboissière, Agência Brasil
A Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), agendada para junho no Rio de Janeiro, deveria ser uma reunião altamente importante, mas há riscos de que esse cenário não se torne realidade. A avaliação é do sociólogo Emir Sader. Durante visita a Porto Alegre ontem (25/1) para participar do Fórum Social Temático, ele avaliou que um dos principais aspectos que coloca a importância do encontro em jogo é a crise econômica global. Os países desenvolvidos, segundo Sader, não vão querer fazer concessões ecológicas para não diminuir a competitividade.
“É uma batalha fundamental da humanidade, mas é uma batalha em que nós assopramos contra o vendaval, contra os países do centro [do capitalismo], que não mostraram disposição em cumprir os compromissos estabelecidos há 20 anos”, disse.
Na avaliação do sociólogo, os países ricos enfrentam um círculo vicioso de reagir à recessão e à crise com mais cortes e, portanto, com mais recessão, em uma espécie de “armadilha” armada para os países pobres e em desenvolvimento, mas que se virou contra eles. Para Sader, o fator que mais preocupa, no momento, são as taxas de desemprego em todo o mundo. Segundo ele, mais de 80 milhões de pessoas perderam o emprego e a expectativa é que esse número chegue a 200 milhões de desempregados. “Isso recai, sobretudo, sobre os setores mais pobres, os trabalhadores imigrantes, com menor proteção social, em países como os Estados Unidos, a França, a Espanha e a Inglaterra”.
O sociólogo acredita que o Brasil, juntamente com outros países da América Latina, pode contribuir para reverter o cenário atual difundindo o modelo de desenvolvimento econômico com distribuição de renda, com expansão do mercado interno de consumo popular, com integração Sul-Sul e com intercâmbio econômico.
“Acho que o tema central do fórum e para o mundo é como superar o neoliberalismo, como construir uma sociedade pós-neoliberal, justa, humana e solidária. A quantas a gente anda, especialmente, tem que ser um tema latino-americano – que passos nós demos, que obstáculos temos ainda pela frente e de que maneira podemos enfrentar conjuntamente e propor alternativas para continentes que vivem em situações dramáticas como a África e parte da Ásia”, concluiu.
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