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Não se pode abrir mão da dimensão ambiental do desenvolvimento

Data: 01/02/2012 21:20

Por: Redação TN / EcoD      

 

Principal conceito a ser debatido na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que será realizada em junho de 2012, no Rio de Janeiro, a Economia Verde divide opiniões. De um lado, boa parte dos governos, a ONU e outras instituições propagam a ideia de que esta é a grande tendência do século 21, no sentido de equilibrar os aspectos econômicos, ambientais e sociais. De outro, ativistas identificados com grupos de esquerda, como os que participaram do último Fórum Social Temático, apontam que este é mais um caminho a serviço do capitalismo especulativo.

 

Mas para o pai de outro conceito relativamente recente (década de 1970), o de Ecodesenvolvimento, Ignacy Sachs, a economia verde tem sim grande importância no atual contexto. "Devemos buscar estratégias de desenvolvimento capazes de responder simultaneamente às urgências sociais e ambientais", destacou em entrevista ao Estadão. Segundo o economista e sociólogo polonês, a transição para estratégias menos destrutivas da natureza e mais equitativas na partilha do produto não pode ser protelada indefinidamente.

 

"A Rio+20 oferecerá uma boa oportunidade para alertar a opinião pública mundial sobre a necessidade urgente de mudar rapidamente de rumo, se não queremos enfrentar mais algumas décadas crises, cuja superação vai acarretar uma altíssimo custo social" - Ignacy Sachs.

 

Na opinião de Sachs, a atual crise econômica mundial não deverá influenciar na Rio+20. "Penso, ao contrário, que a crise é uma oportunidade para apresentar propostas de saída voltadas à solução simultânea dos problemas sociais e ambientais que se agudizaram por meio das formas tradicionais de (mau) desenvolvimento. Se não mudarmos de rumo, corremos o risco de graves problemas ambientais e de polarização ainda maior entre as minorias abastadas e as maiorias condenadas a lutar pela sobrevivência", concluiu.

 

Federações das indústrias vão financiar projetos

 

As federações de indústrias do Rio de Janeiro e de São Paulo, mais a iniciativa privada, vão financiar um projeto para promover iniciativas sustentáveis em cidades do mundo todo durante a Rio+20. A ideia é que representantes municipais do planeta apresentem inovações tecnológicas e troquem experiências para alavancar um desenvolvimento que respeite o ambiente.

 

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, o local servirá de convergência para os diferentes setores da sociedade debaterem formas de conciliar o desenvolvimento social com o econômico e o ambiental. "Nosso lema é desenvolver, incluir e conservar, e o Brasil tem muito a oferecer nessas três áreas. E esse espaço pode ser um local privilegiado para ilustrarmos o que está sendo feito, levantarmos questões para o futuro, além de ser uma construção provisória que coloca em evidência a beleza do Rio de Janeiro", destacou.

 

O Forte de Copacabana abrigará o projeto, que está sendo mantido em sigilo até seu lançamento em março.





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