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Brasil é um dos países com melhor desempenho no combate à desertificação

Fonte: Ivan Richard, Agênc

Data: 06/05/2008 00:00

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou ontem (5/5), ao participar da abertura do 1º Seminário Nacional de Combate à Desertificação, que o Brasil tem servido de exemplo para outros países no combate ao problema, mas ressaltou que ainda há muito a ser feito. A desertificação é um processo de degradação das terras nas zonas áridas, semi-áridas e subúmidas secas, resultante da ação de diversos fatores, principalmente atividades humanas. Estima-se que a desertificação atinja 15,72% do território brasileiro e que uma população aproximada de 31,6 milhões de habitantes sofra com o problema.

As Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD) no Brasil estão principalmente no Nordeste, nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Algumas regiões de Minas Gerais e do Espírito Santo também são afetadas.

“O Brasil é considerado um dos países que têm conseguido maiores avanços na agenda do combate à desertificação. Tanto é que tem sido utilizado como exemplo para países da África, América Latina e Caribe", disse a ministra,

Marina Silva destacou, entretanto, que ainda há um desafio muito grande:

"Mais de dois bilhões de pessoas no mundo estão sob os efeitos da desertificação. É um processo que avança muito mais rápido do que a capacidade de reverter.”

A ministra disse que algumas medidas adotadas no país já surtem efeito e deu como exemplo o Plano de Combate à Desertificação.

“É um processo em curso. Se formos fazer um balanço, tanto o governo federal, como os governos estaduais precisam ampliar suas ações. É preciso que tenha uma parcela do governo federal, mas também deve ser traduzido com os governos estaduais e os municipais e a sociedade de modo geral. Um problema dessa magnitude [não se resolve apenas] com políticas para as pessoas.”

Para o coordenador da Articulação do Semi-árido, João Evangelista, que também participou da abertura do seminário, falta vontade política para solução do problema. Segundo ele, o Plano de Combate à Desertificação, lançado há mais de um ano, ainda não saiu do papel.

“Não sei se [foi] por omissão. Acho que não há uma decisão do governo de fazer o combate”, afirmou Evangelista.

Ele disse que tem acompanhado as discussões sobre o problema nos último dois anos e que tem observado um certo avanço.

"Antes a discussão nem era possível com os estados", essaltou Evangelista, que ainda considera muito tímidas as ações. "O plano nacional foi lançado em 2005 e, de lá para cá, muito pouco foi feito. Quase nada foi efetivado. Então, construir um plano e não ser efetivado é jogar recurso público no lixo”, criticou.

O seminário reúne até hoje (6/6), em Brasília, cerca de 250 pessoas, entre pesquisadores, moradores de municípios afetados pela desertificação e representantes da sociedade civil, de governos e do setor empresarial. As propostas aprovadas serão levadas à 3ª Conferência Nacional do Meio Ambiente, cujo tema central este ano são as mudanças climáticas.

 





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